A mediação pedagógica pode ser definida grosso modo como o conjunto de abordagens utilizadas pelo professor para facultar a compreensão sobre determinado assunto. Assim, tal mediação “na abordagem do estar junto virtual, se concretiza pelas constantes recriações de estratégias durante a realização de um curso, a partir da interrelação dos materiais, atividades e interações”. (Prado, 2010, p. 02). Desta forma, suponhamos três estudos de casos para compreensão mais precisa da mediação pedagógica na Educação a Distância (EaD).
No caso um, o cursista Pedro, embora participasse de todas as atividades, relatou não compreender a metodologia avaliativa de sua tutora e foi informado sobre a fragilidade de suas participações, uma vez que constava o problema do plágio. Como bem enfatiza Prado, (2010, p.07) as atividades nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) só têm sentido se concretizadas por meio das interações, com os materiais, alunos e professores. O que coaduna com o pensamento de Moran (1998, p 244) a “palavra chave é integrar (...) o mais avançado com as técnicas convencionais, integrar a comunicação pessoal, a interpessoal e a tecnológica, dentro de uma visão pedagógica nova, criativa e aberta”.
Ora, no caso um é visível a dificuldade de interrelação com os materiais indicados para estudo. Neste caso, o correto seria a tutora orientar de que a primeira interação deve se dar com os materiais, ou seja, o estudante deve dialogar com os autores propostos apresentando a percepção crítica dos mesmos ou a assimilação de conteúdos, que devem ser postados e referenciados bibliograficamente para que os demais cursistas possam participar desta interação.
Sobre o processo avaliativo cabe ao professor deixar claro seus métodos, e dar retorno para os cursistas sobre quais aspectos devem ser aprimorados. Demo define avaliação como “estratégia permanente de sustentação da aprendizagem formal e política do aluno, com base em diagnósticos constantes e capacidade de intervir de maneira educativa” (1998, in Oliveira 2006, p. 07). Busca-se uma avaliação sistêmica em que se avalie também a modalidade de ensino, levando-se em consideração os materiais, a tutoria e o processo de ensino e aprendizagem, o que pode servir de aporte para a formulação de futuras políticas públicas, e para a consolidação da educação na modalidade de ensino a distância.
No caso dois tem-se Helena, cursista de boa participação, que faltando duas semanas para o término do curso desaparece, não retorna os e-mail’s e depois reaparece com intuito de prosseguir os estudos informando que teve de se ausentar por problemas familiares. A cursista em questão demonstrou dificuldade de interação com o professor, pois bastaria um e-mail quando de sua saída para dar ciência ao tutor. Porém, para além da interação aluno professor, sobre a interação professor aluno indiscutível que ao “ter o aluno como foco (conhecendo suas necessidades), a qualidade dos cursos on line melhorará; os alunos ficarão mais satisfeitos com os resultados e mais inclinados a permanecerem nos cursos (Palloff & Pratt, 2005, p. 14). Neste sentido, sobre a importância da mediação pedagógica "o fato de o professor observar e entender como o aluno aprende - suas fragilidades conceituais, potencialidades e estratégias de resolução - lhe dá condições para ensinar por meio da criação de situações de aprendizagem que possam ser significativas para o aluno." (Prado, 2010, p. 3) Desta forma, o ideal seria informar a aluna da necessidade de interação com o professor, e que neste módulo, suas notas seriam avaliadas e ela poderia retornar aos estudos, mas sem promessa de progressão para os módulos seguintes.
Já no caso três, uma pesquisa revelou que os cursistas contavam detalhes da sua vida íntima, utilizavam gírias, linguagem informal e cometiam erros de português nos fóruns. Este caso revela um problema de interação aluno aluno, aluno materiais. Isso porquê, a interação aluno aluno deve se pautar nas obras discutidas buscando por meio das informações apreendidas a consolidação de conhecimentos, de maneira formal. E, isso não quer dizer que o aluno não deva trabalhar sua capacidade de aplicar sua aprendizagem de maneira contínua a suas experiências de vida, mas deve fazê-lo em relação ao material estudado. Para uma educação além do estar no mundo, para a construção permanente do estar com o mundo, no sentido de estar com o outro, compreendendo diferenças para sistematizar informações em conteúdos e assim produzir conhecimento (Freire, 1982).
A mediação pedagógica deve proporcionar aos estudantes situações que os desafiem e estimulem a conhecer mais profundamente um determinado tema, numa perspectiva do estar junto virtual, buscando por meio das interações consolidar conhecimentos, numa perspectiva educativa que se quer nova, criativa e aberta.
Referências Bibliográficas:
DEMO, Pedro. Questões para a teleducação. In Oliveira. Gleyva Maria Simões de. A avaliação no sistema de educação a distância. Cuiabá, NEAD/UFMT, 2006. Disponível em:
http://www.uab.ufmt.br/uab/images/artigos_site_uab/avaliacao_sistema_ead.pdf.
Acesso:20/12/2010.
FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. São Paulo: Paz e Terra, 1982
MORAN, Manuel José. Comunicação e Internet para uma nova educação. In: Comunicação & Informação, V. 1, n. 2 (jul./dez. 1998). Goiânia: UFG,Facomb, 1998.
PALLOFF, Rena M.; PRATT, Keith. Quem é o aluno virtual? In:____. O aluno virtual: um guia para trabalhar com estudantes on-line. Porto Alegre: Artmed, 2005.
PRADO, Maria Elizabette Brisola Brito. A mediação pedagógica: suas relações e interpendências. Brasília (DF), [SBIE] XVII: 2006 Nov. 08-10. Acesso em: 24 out. 2010.
OLIVEIRA. Gleyva Maria Simões de. A avaliação no sistema de educação a distância. Cuiabá, NEAD/UFMT, 2006.
Disponível em:
http://www.uab.ufmt.br/uab/images/artigos_site_uab/avaliação_sistema_ead.pdf. Acesso em: 20/12/2010
terça-feira, 15 de março de 2011
Paralelo EaD no mundo e no Brasil- Uma história em construção
A comunicação surge do desejo humano de repassar informações. Ou seja, comunicação é uma ação que não se realiza sobre a matéria, mas sobre o outro, trata-se das possibilidades de emancipação humana (Temer, 2005, p. 276).
Cronologicamente, as formas de comunicação, que possibilitaram ao homem registrar e transmitir o saber, são: a escrita, a tipografia (com o advento do livro), o rádio, a televisão e o computador (Pereira e Moraes, 2009, p. 68).
No intuito de trocar informações sobre os saberes formais surgiu a educação a distância (EaD) em locais em que o ensino presencial não era uma realidade, situação comum em grandes territórios. Segundo Pereira e Moraes, (2009, p. 72 e 73) a EaD pode ser dividida em cinco gerações. Seu início data do século XIX, por meio de instituições que ofereciam cursos por correspondência, principalmente na Europa. Porém, o primeiro marco sobre a EaD foi o anúncio publicado na Gazeta Boston, em 1728, por Cauleb Philips. Ele se propunha a ensinar por meio de cartas.
A segunda geração desenvolve-se na década de 1970, por meio do rádio, da televisão e de vídeos, com a criação da primeira universidade a distância, a Open University britânica. No final dos anos 1980 tem-se a terceira geração correspondente ao “Modelo de Aprendizagem por conferência”, porém as sessões sincrônicas implicaram em problemas de flexibilidade de tempo e espaço, justamente um dos diferenciais positivos do ensino a distância. A quarta geração, no final da década de 1990, está ligada ao uso do computador, por meio da criação dos primeiros ambientes virtuais de aprendizagem, um avanço em termos de “educação interativa, não linear e colaborativa”, conforme apontam Pereira e Moraes (2009, p. 73). A quinta geração, ainda emergente, sugere o uso de bancos de dados para sincronizar dúvidas dos alunos, com respostas já repassadas, tanto por colegas como pelos tutores, ainda em caráter experimental está sendo desenvolvida na University of Sourthern Queesland, na Austrália.
Embora, o Brasil seja um país grande, permeado por muitas desigualdades, que por si só, justificam a existência da EaD, este modelo de ensino ainda está em construção. O que envolve tanto fatores sociais, como legais.
A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação brasileira (nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961) em seu artigo 104, mencionava a possibilidade de educação a distância com o uso do rádio, TV e/ou correspondência. Assim, em 1969 foi criada a TVE do Maranhão, com cursos de 5ª a 8ª série e, em 1970, o projeto Minerva usou o rádio para promover a formação básica, dois expoentes do início da EaD no Brasil.
Como o país viveu um período de ditadura militar entre meados de 1964 a 1984, a luta por democratizar o país gerou aversão aos projetos do período, o que explica socialmente o atraso do Brasil em relação a outros países, que consolidaram a EaD, inclusive em “megauniversidades” como a Anadolu University, na Turquia, com cerca de 567 mil alunos. (Pereira e Morais, 2009, p.78).
A EaD no Brasil foi retomada apenas a partir da segunda LDB ( nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996), a Lei Darcy Ribeiro, que define EaD e, em seu artigo 80 prevê o “desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino à distância, em todos os níveis e modalidade de ensino, e de educação continuada” (Carneiro, 1998, p. 195). Porém, esta LDB teve duas regulamentações, o decreto nº 2.494 de 10 de fevereiro de 1998, considerado não oportuno, foi substituído pelo decreto nº 5622, de 19 de dezembro de 2005. Tal decreto no entanto, traz algumas medidas que sinalizam um retrocesso, como o fato de que "os resultados dos exames (presenciais) deverão prevalecer sobre os demais resultados da avaliação 'no processo', indo na contramão da didática e da avaliação" (Gomes, 2009, p. 22), assim como estabelece um número fixo de vagas para o ensino à distância, característica numerus clausus e ainda coloca como objetivo a 'padronização de normas e procedimentos', podendo ser interpretada de forma errônea indo em contradição com a Constituição, que reza que a educação deve se adequar às diferenças do país. Como bem argumenta Gomes (2009, p. 28) "o grande problema inerente à legislação e normas é que não se coloca a tônica no substantivo educação e sim, na sua qualificação: presencial ou à distância".
Atualmente, observa-se os avanços da lei como, por exemplo, o decreto nº 5.800, de 8 de junho de 2006, que cria o Sistema Universidade Aberta do Brasil- UAB, com o objetivo de criar um amplo sistema nacional de educação superior à distância, priorizando a formação de professores e gestores da educação.
Percebe-se que, no Brasil há ainda um longo percurso para vencer as barreiras sociais e legais para a consolidação da EaD, porém a educação pressupõe comunicação para a emancipação humana e, portanto, luta permanente.
Referências Bibliográficas
CARNEIRO, Moacir Alves. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva artigo a artigo. Petrópolis: Vozes, 11 ed. 1998, p. 195.
GOMES, Candido Alberto Costa. A legislação que trata a EAD.In: Educação a Distancia: o estado da arte. LITTO, Fredric M. e FORMIGA, Marcos (orgs.). São Paulo: Perason Education do Brasil, 2009. p.21-27.
PEREIRA, Eva Waisros e MORAES, Raquel de Almeida. História da educação a distância e os desafios na formação de professores no Brasil. In.Educação superior a distância: Comunidade de Trabalho e Aprendizagem em Rede (CTAR) / Amaralina Miranda de Souza, Leda Maria Rangearo Fiorentini e Maria Alexandra Militão Rodrigues, organizadoras. Brasília: Universidade de Brasília, Faculdade de Educação, 2009.
TEMER, Ana Carolina Rocha Pessoa. As bases sociológicas nos estudos das Teorias da Comunicação. p. 271-298. Revista Comunicação: Veredas. Revista do Programa de pós-graduação da Universidade de marília- Unimar. Marília: Unimar. V. 4 n. 4, 2005. INSN. 16787536.
Cronologicamente, as formas de comunicação, que possibilitaram ao homem registrar e transmitir o saber, são: a escrita, a tipografia (com o advento do livro), o rádio, a televisão e o computador (Pereira e Moraes, 2009, p. 68).
No intuito de trocar informações sobre os saberes formais surgiu a educação a distância (EaD) em locais em que o ensino presencial não era uma realidade, situação comum em grandes territórios. Segundo Pereira e Moraes, (2009, p. 72 e 73) a EaD pode ser dividida em cinco gerações. Seu início data do século XIX, por meio de instituições que ofereciam cursos por correspondência, principalmente na Europa. Porém, o primeiro marco sobre a EaD foi o anúncio publicado na Gazeta Boston, em 1728, por Cauleb Philips. Ele se propunha a ensinar por meio de cartas.
A segunda geração desenvolve-se na década de 1970, por meio do rádio, da televisão e de vídeos, com a criação da primeira universidade a distância, a Open University britânica. No final dos anos 1980 tem-se a terceira geração correspondente ao “Modelo de Aprendizagem por conferência”, porém as sessões sincrônicas implicaram em problemas de flexibilidade de tempo e espaço, justamente um dos diferenciais positivos do ensino a distância. A quarta geração, no final da década de 1990, está ligada ao uso do computador, por meio da criação dos primeiros ambientes virtuais de aprendizagem, um avanço em termos de “educação interativa, não linear e colaborativa”, conforme apontam Pereira e Moraes (2009, p. 73). A quinta geração, ainda emergente, sugere o uso de bancos de dados para sincronizar dúvidas dos alunos, com respostas já repassadas, tanto por colegas como pelos tutores, ainda em caráter experimental está sendo desenvolvida na University of Sourthern Queesland, na Austrália.
Embora, o Brasil seja um país grande, permeado por muitas desigualdades, que por si só, justificam a existência da EaD, este modelo de ensino ainda está em construção. O que envolve tanto fatores sociais, como legais.
A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação brasileira (nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961) em seu artigo 104, mencionava a possibilidade de educação a distância com o uso do rádio, TV e/ou correspondência. Assim, em 1969 foi criada a TVE do Maranhão, com cursos de 5ª a 8ª série e, em 1970, o projeto Minerva usou o rádio para promover a formação básica, dois expoentes do início da EaD no Brasil.
Como o país viveu um período de ditadura militar entre meados de 1964 a 1984, a luta por democratizar o país gerou aversão aos projetos do período, o que explica socialmente o atraso do Brasil em relação a outros países, que consolidaram a EaD, inclusive em “megauniversidades” como a Anadolu University, na Turquia, com cerca de 567 mil alunos. (Pereira e Morais, 2009, p.78).
A EaD no Brasil foi retomada apenas a partir da segunda LDB ( nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996), a Lei Darcy Ribeiro, que define EaD e, em seu artigo 80 prevê o “desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino à distância, em todos os níveis e modalidade de ensino, e de educação continuada” (Carneiro, 1998, p. 195). Porém, esta LDB teve duas regulamentações, o decreto nº 2.494 de 10 de fevereiro de 1998, considerado não oportuno, foi substituído pelo decreto nº 5622, de 19 de dezembro de 2005. Tal decreto no entanto, traz algumas medidas que sinalizam um retrocesso, como o fato de que "os resultados dos exames (presenciais) deverão prevalecer sobre os demais resultados da avaliação 'no processo', indo na contramão da didática e da avaliação" (Gomes, 2009, p. 22), assim como estabelece um número fixo de vagas para o ensino à distância, característica numerus clausus e ainda coloca como objetivo a 'padronização de normas e procedimentos', podendo ser interpretada de forma errônea indo em contradição com a Constituição, que reza que a educação deve se adequar às diferenças do país. Como bem argumenta Gomes (2009, p. 28) "o grande problema inerente à legislação e normas é que não se coloca a tônica no substantivo educação e sim, na sua qualificação: presencial ou à distância".
Atualmente, observa-se os avanços da lei como, por exemplo, o decreto nº 5.800, de 8 de junho de 2006, que cria o Sistema Universidade Aberta do Brasil- UAB, com o objetivo de criar um amplo sistema nacional de educação superior à distância, priorizando a formação de professores e gestores da educação.
Percebe-se que, no Brasil há ainda um longo percurso para vencer as barreiras sociais e legais para a consolidação da EaD, porém a educação pressupõe comunicação para a emancipação humana e, portanto, luta permanente.
Referências Bibliográficas
CARNEIRO, Moacir Alves. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva artigo a artigo. Petrópolis: Vozes, 11 ed. 1998, p. 195.
GOMES, Candido Alberto Costa. A legislação que trata a EAD.In: Educação a Distancia: o estado da arte. LITTO, Fredric M. e FORMIGA, Marcos (orgs.). São Paulo: Perason Education do Brasil, 2009. p.21-27.
PEREIRA, Eva Waisros e MORAES, Raquel de Almeida. História da educação a distância e os desafios na formação de professores no Brasil. In.Educação superior a distância: Comunidade de Trabalho e Aprendizagem em Rede (CTAR) / Amaralina Miranda de Souza, Leda Maria Rangearo Fiorentini e Maria Alexandra Militão Rodrigues, organizadoras. Brasília: Universidade de Brasília, Faculdade de Educação, 2009.
TEMER, Ana Carolina Rocha Pessoa. As bases sociológicas nos estudos das Teorias da Comunicação. p. 271-298. Revista Comunicação: Veredas. Revista do Programa de pós-graduação da Universidade de marília- Unimar. Marília: Unimar. V. 4 n. 4, 2005. INSN. 16787536.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Legislação sobre educação e as tecnologias da informação e comunicação
Com relação à relevância da discussão proposta que envolve as diversas fases das tecnologias da informação e comunicação com a legislação sobre educação no Brasil retomo as palavras de Druetta e Sierra (2005, p. 149-180, p. 176) : “ Um discurso pedagógico que analisa globalmente o impacto das novas tecnologias na educação não pode reduzir-se a explorar o potencial das mesmas em relação com os processos individuais de aprendizagem. Requer, também analisar as novas tecnologias em relação às interações sociais, políticas e culturais que as mesmas promovem no interior de nossa sociedade e, em conseqüência, identificar as responsabilidades e ações educativas implicadas, de modo a promover uma maior justiça social e progresso democrático”.
Desta forma, retomando a discussão da colega Matilde, pode-se observar que a primeira LDB (nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961) remonta ao autoritário Estado Novo, conforme recorda Gomes (2005). Sendo que o artigo 104, “permitiu a organização de cursos ou escolas experimentais, dependendo de autorização caso a caso do CEE, ao se tratar dos cursos primários e médios, e do CFE, quando cursos superiores”.
Juntamente à LDB de 1961, foi sancionada a lei nº 5.692, de 15 de agosto de 1971, “que dispôs que os conselhos de educação pudessem autorizar experiências pedagógicas em regimes diversos. A novidade é que a lei determinava que os cursos supletivos, fossem ministrados também por meio de rádio, televisão, correspondência e outros meios de comunicação para alcançar o maior número de alunos”. (Gomes, 2005).
Nesta época havia o predomínio da comunicação por meio de cartas, o uso do rádio a partir de meados da década de 1920, e, posteriormente da televisão, nos anos 1950. Desta forma, primeira transmissão de rádio no Brasil data de 7 de setembro de 1922.
Segundo Cesar (1999), nos anos 1970, o governo militar utilizou as emissoras de rádio para transmitir programas de ensino à distância, principalmente supletivos. Para registro, é importante recordar o Projeto Minerva que entrou no ar no dia 4 de outubro de 1970, por meio da rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pioneira sem fins lucrativos. O projeto tinha por objetivo fortalecer a educação básica e operava em cinco horas semanais, com trinta minutos diários, de segunda a sexta-feira.
A segunda LDB de nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, batizada de Lei Darcy Ribeiro, sinaliza mudanças na percepção da educação à distância dando enfoque ao uso da televisão como instrumento disseminador de conteúdos. (Gomes, 2005). A nova LDB estabeleceu em seu artigo 80, que “o Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino à distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada” (Carneiro, 1998, p. 195).
Neste sentido, foi criada a Secretária de Ensino à Distância (SEED), organismo especialmente direcionado para tratar as direções da EaD. Sobre a inclusão da educação via televisão, o Programa TV Escola, testado desde 1995, passa a ser gerenciado pela SEED, com o objetivo de garantir a universalização e a equidade da educação básica no Brasil (Schneider, 2008).
Ainda com relação à legislação referente à televisão destaca-se o tratamento diferenciado no tocante à concessão de canais com finalidade educativa exclusiva, que é o caso do Canal Futura, que desde 22 de setembro de 1997 está no ar, concebido como um canal educativo e privado, implementado pela Fundação Roberto Marinho.
Atualmente, as expectativas se voltam para as possibilidades de interatividade da TV Digital, contidas no artigo 6, do Decreto nº 5.820, de 29 de junho de 2006, que estabelece diretrizes para a transição do sistema de transmissão analógica para o digital. Além do referido artigo, o de nº 13 explícita que “a União poderá explorar o serviço de radiodifusão de som e imagem em tecnologia digital para a transmissão destinada ao desenvolvimento e aprimoramento, entre outros, do ensino à distância de alunos e capacitação de professores” (Schneider, 2008, p. 153).
Desde 1994 no Brasil ocorre a expansão e popularização do uso da internet como modalidade de comunicação, e de troca instantânea de informação, serviços e produtos. E, recentemente pensada como grande ferramenta para o ensino à distância.
Ainda sobre a LDB de 1996, esta foi regulamentada pelo decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, que definiu a EaD como “a forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem com a mediação de recursos didáticos, sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados e veiculados pelos diversos meios de comunicação” (Gomes, 2005).
Porém, a regulamentação de 1998 não tão oportuna, segundo Gomes, (2005) foi revogada dando lugar para o decreto nº 5622, de 19 de dezembro de 2005. Entre as novidades do decreto estão em seu artigo 1º, parágrafo 1º, a obrigatoriedade de encontros presenciais não só para provas, mas para defesa de trabalhos, estágio e atividades laboratoriais. Igualmente obriga a criação de pólos.
Duramente criticado o decreto estabelece em seu artigo 4º, parágrafo 2º que os resultados das avaliações presenciais devem impor-se aos resultados alcançados no processo de aprendizagem como um todo. Um retrocesso em termos de pensamento avaliativo.
Outro marco da legislação, já com a consolidação do uso da internet para a educação á distância foi o decreto nº 5.800, de 8 de junho de 2006, que dispõe sobre o Sistema Universidade Aberta do Brasil- UAB, destinada a fortalecer o ensino à distância nas modalidades de graduação e pós-graduação. Em consonância com o artigo 80 da LDB de 1996, a UAB visa “a articulação das instituições públicas de ensino superior com os pólos de apoio presencial, destinados a apoiar de modo descentralizado as atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas” (Gomes, 2005).
Outra novidade em termos de legislação foi a portaria MEC nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004, que permitiu instituir a oferta de disciplinas na modalidade EaD para cursos de graduação, já reconhecidos pelos MEC.
Sobre a pós-graduação em nível lato sensu, que nos interessa conhecer mais de perto, importa que o credenciamento para ministrar tais cursos se faz com a autorização inicial de um curso de graduação, vide decreto nº 5.622 de 2005. Mas, por exemplo, caso seja intenção da UFG criar um mestrado em mídias da educação, o decreto deixa claro em seu artigo 10º que tal autorização deve ser feita diretamente à União.
Conforme assinala Schneider, (2008, p. 151-152) embora a legislação e a educação busquem acompanhar os movimentos históricos relacionados às tecnologias da informação e da comunicação, os avanços nestas áreas vão requerer quase sempre, outros formatos estruturais e a quebra de paradigmas didáticos pedagógicos. Isto porque, cada vez mais o uso de tais tecnologias apontam para a construção do conhecimento coletivo, que para além do emprego efetivo de possibilidades técnicas, dependem sobretudo, da adequada qualificação de quem os utilizam.
Desta forma, retomando a discussão da colega Matilde, pode-se observar que a primeira LDB (nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961) remonta ao autoritário Estado Novo, conforme recorda Gomes (2005). Sendo que o artigo 104, “permitiu a organização de cursos ou escolas experimentais, dependendo de autorização caso a caso do CEE, ao se tratar dos cursos primários e médios, e do CFE, quando cursos superiores”.
Juntamente à LDB de 1961, foi sancionada a lei nº 5.692, de 15 de agosto de 1971, “que dispôs que os conselhos de educação pudessem autorizar experiências pedagógicas em regimes diversos. A novidade é que a lei determinava que os cursos supletivos, fossem ministrados também por meio de rádio, televisão, correspondência e outros meios de comunicação para alcançar o maior número de alunos”. (Gomes, 2005).
Nesta época havia o predomínio da comunicação por meio de cartas, o uso do rádio a partir de meados da década de 1920, e, posteriormente da televisão, nos anos 1950. Desta forma, primeira transmissão de rádio no Brasil data de 7 de setembro de 1922.
Segundo Cesar (1999), nos anos 1970, o governo militar utilizou as emissoras de rádio para transmitir programas de ensino à distância, principalmente supletivos. Para registro, é importante recordar o Projeto Minerva que entrou no ar no dia 4 de outubro de 1970, por meio da rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pioneira sem fins lucrativos. O projeto tinha por objetivo fortalecer a educação básica e operava em cinco horas semanais, com trinta minutos diários, de segunda a sexta-feira.
A segunda LDB de nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, batizada de Lei Darcy Ribeiro, sinaliza mudanças na percepção da educação à distância dando enfoque ao uso da televisão como instrumento disseminador de conteúdos. (Gomes, 2005). A nova LDB estabeleceu em seu artigo 80, que “o Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino à distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada” (Carneiro, 1998, p. 195).
Neste sentido, foi criada a Secretária de Ensino à Distância (SEED), organismo especialmente direcionado para tratar as direções da EaD. Sobre a inclusão da educação via televisão, o Programa TV Escola, testado desde 1995, passa a ser gerenciado pela SEED, com o objetivo de garantir a universalização e a equidade da educação básica no Brasil (Schneider, 2008).
Ainda com relação à legislação referente à televisão destaca-se o tratamento diferenciado no tocante à concessão de canais com finalidade educativa exclusiva, que é o caso do Canal Futura, que desde 22 de setembro de 1997 está no ar, concebido como um canal educativo e privado, implementado pela Fundação Roberto Marinho.
Atualmente, as expectativas se voltam para as possibilidades de interatividade da TV Digital, contidas no artigo 6, do Decreto nº 5.820, de 29 de junho de 2006, que estabelece diretrizes para a transição do sistema de transmissão analógica para o digital. Além do referido artigo, o de nº 13 explícita que “a União poderá explorar o serviço de radiodifusão de som e imagem em tecnologia digital para a transmissão destinada ao desenvolvimento e aprimoramento, entre outros, do ensino à distância de alunos e capacitação de professores” (Schneider, 2008, p. 153).
Desde 1994 no Brasil ocorre a expansão e popularização do uso da internet como modalidade de comunicação, e de troca instantânea de informação, serviços e produtos. E, recentemente pensada como grande ferramenta para o ensino à distância.
Ainda sobre a LDB de 1996, esta foi regulamentada pelo decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, que definiu a EaD como “a forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem com a mediação de recursos didáticos, sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados e veiculados pelos diversos meios de comunicação” (Gomes, 2005).
Porém, a regulamentação de 1998 não tão oportuna, segundo Gomes, (2005) foi revogada dando lugar para o decreto nº 5622, de 19 de dezembro de 2005. Entre as novidades do decreto estão em seu artigo 1º, parágrafo 1º, a obrigatoriedade de encontros presenciais não só para provas, mas para defesa de trabalhos, estágio e atividades laboratoriais. Igualmente obriga a criação de pólos.
Duramente criticado o decreto estabelece em seu artigo 4º, parágrafo 2º que os resultados das avaliações presenciais devem impor-se aos resultados alcançados no processo de aprendizagem como um todo. Um retrocesso em termos de pensamento avaliativo.
Outro marco da legislação, já com a consolidação do uso da internet para a educação á distância foi o decreto nº 5.800, de 8 de junho de 2006, que dispõe sobre o Sistema Universidade Aberta do Brasil- UAB, destinada a fortalecer o ensino à distância nas modalidades de graduação e pós-graduação. Em consonância com o artigo 80 da LDB de 1996, a UAB visa “a articulação das instituições públicas de ensino superior com os pólos de apoio presencial, destinados a apoiar de modo descentralizado as atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas” (Gomes, 2005).
Outra novidade em termos de legislação foi a portaria MEC nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004, que permitiu instituir a oferta de disciplinas na modalidade EaD para cursos de graduação, já reconhecidos pelos MEC.
Sobre a pós-graduação em nível lato sensu, que nos interessa conhecer mais de perto, importa que o credenciamento para ministrar tais cursos se faz com a autorização inicial de um curso de graduação, vide decreto nº 5.622 de 2005. Mas, por exemplo, caso seja intenção da UFG criar um mestrado em mídias da educação, o decreto deixa claro em seu artigo 10º que tal autorização deve ser feita diretamente à União.
Conforme assinala Schneider, (2008, p. 151-152) embora a legislação e a educação busquem acompanhar os movimentos históricos relacionados às tecnologias da informação e da comunicação, os avanços nestas áreas vão requerer quase sempre, outros formatos estruturais e a quebra de paradigmas didáticos pedagógicos. Isto porque, cada vez mais o uso de tais tecnologias apontam para a construção do conhecimento coletivo, que para além do emprego efetivo de possibilidades técnicas, dependem sobretudo, da adequada qualificação de quem os utilizam.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
A globalização, o desmonte da educação e a EaD
A globalização, como bem argumenta Milton Santos, no DVD de mesmo nome, é um processo de trocas internacionais. Seu início remonta à colonização das terras americanas, e de lá para cá o fenômeno das permutas, quase sempre desiguais, tem se sofisticado, como se observa na atualidade com a fragmentação de partes da produção de produtos e serviços por todo o mundo.
O problema da globalização são as suas conseqüências, se por um lado as trocas de mercadorias, serviços e informações melhorou a vida de alguns homens, por outro lado, os ajustes nas economias dos países em desenvolvimento diminuíram durante anos as chances de acesso das populações pobres à educação e saúde, para citar apenas os maiores problemas estruturais.
Mas, para compreender as conseqüências da globalização é preciso entender o conceito de modo de produção, que nada mais é do que a forma sob a qual as matérias primas são transformadas em produtos finais, ganhando mais valor, ou valor adicionado. A grande mudança nos modos de produção ocorre após a crise de 1929, em que um excesso na produção de café provocou a queda geral dos preços e a conseqüente quebra da bolsa de Nova York, principal mercado para comercialização do produto.
Percebeu-se que era preciso otimizar os ganhos e dar um cunho científico à produção, surge assim o modo de produção Fordista. O padrão Fordista de acumulação se caracteriza pelo uso intensivo dos critérios científicos de organização do trabalho e das economias de escala (quanto mais se produz mais reduz-se o custo médio por unidade produzida) para uma produção em massa de produtos padronizados.
Muda também a forma de atuação das economias nacionais, a crença de que os mercados podem se regular sozinhos foi contestada com a grande crise. Surge então a proposta do economista John Maynard Keynes, que acredita na necessidade de intervenção do Estado na economia, tanto para gerar empregos, por meio do aumento das obras públicas, como para diminuir as desigualdades provocadas pelo capitalismo, que se denominou de Keynesianismo.
O papel do Estado Keynesiano foi o de mediador do conflito entre capital e trabalho. Desta forma, foi importante a parceria com os sindicatos. Se por um lado, o governo pedia negociações salariais mais flexíveis para os acordos coletivos, por outro oferecia o sistema de proteção previdenciária (Welfare State). Ou seja, direta (salários reais) e indiretamente (Welfare State) o Estado contribuiu de forma decisiva para permitir a perpetuação do modo de produção capitalista, neste período o padrão de acumulação foi o fordista.
No entanto, em 1970 com a crise do petróleo, ocasionada pelo aumento da demanda associado ao problema da inflação, coloca-se em cheque o modo de produção fordista e surge um novo modo de produção caracterizado pelo trabalho intenso e pelo desmonte da educação e da saúde, em que os mais afetados foram os países em desenvolvimento.
A crise do padrão de acumulação Fordista se configurou na queda da dinâmica dos ganhos salariais que foi “superada” com a flexibilização do modelo, os mercados autocentrados passaram a sofrer “constrangimentos do exterior”, ou seja concorrência internacional. Tem início assim, a globalização da produção, ou o movimento de desterritorialização da produção partes dos tênis da Nike estão distribuídos por todo o terceiro mundo. E, conforme o filme denuncia, uma camisa vendida a 14 dólares nos Estados Unidos custou cerca de 50 centavos, devido à exploração do trabalho nas regiões mais pobres, em que falta a educação e qualificação de pessoal.
Aliado a esse processo, tem-se a mudança no regime de acumulação de Fordista para acumulação flexível e o modelo de gestão estatal que de Keynesiano passa para neoliberal. O neoliberalismo visa contribuir com o aumento da exploração da força de trabalho, principalmente com a corrosão da legislação trabalhista, bem como diminuir os gastos estatais (prioritariamente com a política social), realizar a privatização e reforma fiscal, ou seja diminuir os gastos com educação e saúde, prioritariamente.
Enquanto, nas organizações fordistas há intensificação da divisão do trabalho, o trabalho é prescrito e observa-se sistema organizacional rígido e centralizado, nas organizações flexíveis têm-se uma intensificação do ritmo de trabalho e uma maior participação e responsabilização do empregado.
Uma das exigências do modelo neoliberal é o ajuste macroeconômico da economia, de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo “Consenso de Washington” ou seja, era a visão neoliberal dos problemas latino-americanos. Esses ajustes visam tornar as economias de países de terceiro mundo, viáveis para investimentos externos.
No Brasil, a partir de 1994 impera a estabilidade macroeconômica, que foi alçada por meio de uma série de ajustes estruturais, que visavam entre outras coisas à diminuição dos gastos públicos com educação e saúde. A inflação é mantida desde então, a níveis considerados baixos, por meio de uma política monetária de aumento da taxa básica de juros (taxa selic) e de paridade dólar –real, valorização da moeda nacional.
Outra medida foi a redução das empresas estatais, por meio de privatizações que ocorrem no Brasil, a partir da década de 1990. Houve desta forma, no Brasil, uma abertura econômica, com alto volume de capital financeiro especulativo e parte das linhas produtivas de empresas transnacionais, acompanhada pela progressiva retirada do Estado (instituição), sobretudo no que diz respeito a políticas produtivas.
O que se observa, conforme retrata o filme, é que nas economias asiáticas e latino-americanas é que são crescentes as desigualdades de renda, entre os mais ricos e os mais pobres, ao contrário da proposta feita pelo “Consenso de Washington”, as estatísticas provam que as desigualdades têm se acentuado. A economia Argentina, por exemplo nunca se recuperou.
Chega-se à constatação de que a liberalização da economia não diminuiu as desigualdades como preconizou o “Consenso de Washington”. Desta forma, a mudança na forma de atuação do estado provocada pela adoção do modelo neoliberal, tem dificultado a promoção da distribuição de renda, a melhoria dos níveis da educação e piorado o acesso à saúde pública.
As desiguais chances de acesso aos direitos civis, políticos e sociais que caracterizam a cidadania, refletem a dificuldade de educação de qualidade, fato que pode ser revertido por meio do uso da tecnologia, com a Educação a Distância (EaD). Pois, muitas pessoas que foram expropriadas de condições adequadas de estudos, ou porque em suas cidades não havia uma escola, ou porque precisam trabalhar para se sustentar e não conseguem conciliar o horário dos estudos, tem hoje uma oportunidade real de se aprimorarem e discutirem questões fundamentais com aquelas propostas pelo DVD Milton Santos. Mais do que educação, a EaD pode, deve e irá trabalhar pela conscientização das pessoas.
Quando se trata de uma leitura crítica das mídias reflete-se que mesmo sem acesso à educação formal, a maior parte dos brasileiros têm acesso à televisão. Pesquisa recente feita pelo IBOPE revelou que 94% dos lares brasileiros têm televisão, isso significa que a TV está presente também nas casas daqueles que não tem nem mesmo fogão.
O fenômeno da globalização acirrou-se com o advento da internet que possibilitou trocas de informações, produtos e serviços em tempo real. Lutar por uma outra globalização, é sem dúvida utilizar as vantagens trazidas por essas trocas. Pode-se colaborar hoje para disseminar as informações, fomentar o conhecimento e incentivar a leitura crítica da mídia.
Sabe-se que com o advento da internet o receptor muda sua atuação para receptor-produtor e, neste contexto a leitura das mídias é de singular importância se pensarmos numa intervenção na atual didática escolar, principalmente para incluir possibilidade de conhecimento em rede, o que pressupõe crítica, recepção e produção.
Voltando às palavras de Sartre que abrem o DVD apesar do mundo hoje estar terrível, a esperança é o motor das grandes mudanças. E, é assim que devemos pensar a Educação à Distância, uma porta que se abre para um mundo, muitas vezes sem janelas.
O problema da globalização são as suas conseqüências, se por um lado as trocas de mercadorias, serviços e informações melhorou a vida de alguns homens, por outro lado, os ajustes nas economias dos países em desenvolvimento diminuíram durante anos as chances de acesso das populações pobres à educação e saúde, para citar apenas os maiores problemas estruturais.
Mas, para compreender as conseqüências da globalização é preciso entender o conceito de modo de produção, que nada mais é do que a forma sob a qual as matérias primas são transformadas em produtos finais, ganhando mais valor, ou valor adicionado. A grande mudança nos modos de produção ocorre após a crise de 1929, em que um excesso na produção de café provocou a queda geral dos preços e a conseqüente quebra da bolsa de Nova York, principal mercado para comercialização do produto.
Percebeu-se que era preciso otimizar os ganhos e dar um cunho científico à produção, surge assim o modo de produção Fordista. O padrão Fordista de acumulação se caracteriza pelo uso intensivo dos critérios científicos de organização do trabalho e das economias de escala (quanto mais se produz mais reduz-se o custo médio por unidade produzida) para uma produção em massa de produtos padronizados.
Muda também a forma de atuação das economias nacionais, a crença de que os mercados podem se regular sozinhos foi contestada com a grande crise. Surge então a proposta do economista John Maynard Keynes, que acredita na necessidade de intervenção do Estado na economia, tanto para gerar empregos, por meio do aumento das obras públicas, como para diminuir as desigualdades provocadas pelo capitalismo, que se denominou de Keynesianismo.
O papel do Estado Keynesiano foi o de mediador do conflito entre capital e trabalho. Desta forma, foi importante a parceria com os sindicatos. Se por um lado, o governo pedia negociações salariais mais flexíveis para os acordos coletivos, por outro oferecia o sistema de proteção previdenciária (Welfare State). Ou seja, direta (salários reais) e indiretamente (Welfare State) o Estado contribuiu de forma decisiva para permitir a perpetuação do modo de produção capitalista, neste período o padrão de acumulação foi o fordista.
No entanto, em 1970 com a crise do petróleo, ocasionada pelo aumento da demanda associado ao problema da inflação, coloca-se em cheque o modo de produção fordista e surge um novo modo de produção caracterizado pelo trabalho intenso e pelo desmonte da educação e da saúde, em que os mais afetados foram os países em desenvolvimento.
A crise do padrão de acumulação Fordista se configurou na queda da dinâmica dos ganhos salariais que foi “superada” com a flexibilização do modelo, os mercados autocentrados passaram a sofrer “constrangimentos do exterior”, ou seja concorrência internacional. Tem início assim, a globalização da produção, ou o movimento de desterritorialização da produção partes dos tênis da Nike estão distribuídos por todo o terceiro mundo. E, conforme o filme denuncia, uma camisa vendida a 14 dólares nos Estados Unidos custou cerca de 50 centavos, devido à exploração do trabalho nas regiões mais pobres, em que falta a educação e qualificação de pessoal.
Aliado a esse processo, tem-se a mudança no regime de acumulação de Fordista para acumulação flexível e o modelo de gestão estatal que de Keynesiano passa para neoliberal. O neoliberalismo visa contribuir com o aumento da exploração da força de trabalho, principalmente com a corrosão da legislação trabalhista, bem como diminuir os gastos estatais (prioritariamente com a política social), realizar a privatização e reforma fiscal, ou seja diminuir os gastos com educação e saúde, prioritariamente.
Enquanto, nas organizações fordistas há intensificação da divisão do trabalho, o trabalho é prescrito e observa-se sistema organizacional rígido e centralizado, nas organizações flexíveis têm-se uma intensificação do ritmo de trabalho e uma maior participação e responsabilização do empregado.
Uma das exigências do modelo neoliberal é o ajuste macroeconômico da economia, de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo “Consenso de Washington” ou seja, era a visão neoliberal dos problemas latino-americanos. Esses ajustes visam tornar as economias de países de terceiro mundo, viáveis para investimentos externos.
No Brasil, a partir de 1994 impera a estabilidade macroeconômica, que foi alçada por meio de uma série de ajustes estruturais, que visavam entre outras coisas à diminuição dos gastos públicos com educação e saúde. A inflação é mantida desde então, a níveis considerados baixos, por meio de uma política monetária de aumento da taxa básica de juros (taxa selic) e de paridade dólar –real, valorização da moeda nacional.
Outra medida foi a redução das empresas estatais, por meio de privatizações que ocorrem no Brasil, a partir da década de 1990. Houve desta forma, no Brasil, uma abertura econômica, com alto volume de capital financeiro especulativo e parte das linhas produtivas de empresas transnacionais, acompanhada pela progressiva retirada do Estado (instituição), sobretudo no que diz respeito a políticas produtivas.
O que se observa, conforme retrata o filme, é que nas economias asiáticas e latino-americanas é que são crescentes as desigualdades de renda, entre os mais ricos e os mais pobres, ao contrário da proposta feita pelo “Consenso de Washington”, as estatísticas provam que as desigualdades têm se acentuado. A economia Argentina, por exemplo nunca se recuperou.
Chega-se à constatação de que a liberalização da economia não diminuiu as desigualdades como preconizou o “Consenso de Washington”. Desta forma, a mudança na forma de atuação do estado provocada pela adoção do modelo neoliberal, tem dificultado a promoção da distribuição de renda, a melhoria dos níveis da educação e piorado o acesso à saúde pública.
As desiguais chances de acesso aos direitos civis, políticos e sociais que caracterizam a cidadania, refletem a dificuldade de educação de qualidade, fato que pode ser revertido por meio do uso da tecnologia, com a Educação a Distância (EaD). Pois, muitas pessoas que foram expropriadas de condições adequadas de estudos, ou porque em suas cidades não havia uma escola, ou porque precisam trabalhar para se sustentar e não conseguem conciliar o horário dos estudos, tem hoje uma oportunidade real de se aprimorarem e discutirem questões fundamentais com aquelas propostas pelo DVD Milton Santos. Mais do que educação, a EaD pode, deve e irá trabalhar pela conscientização das pessoas.
Quando se trata de uma leitura crítica das mídias reflete-se que mesmo sem acesso à educação formal, a maior parte dos brasileiros têm acesso à televisão. Pesquisa recente feita pelo IBOPE revelou que 94% dos lares brasileiros têm televisão, isso significa que a TV está presente também nas casas daqueles que não tem nem mesmo fogão.
O fenômeno da globalização acirrou-se com o advento da internet que possibilitou trocas de informações, produtos e serviços em tempo real. Lutar por uma outra globalização, é sem dúvida utilizar as vantagens trazidas por essas trocas. Pode-se colaborar hoje para disseminar as informações, fomentar o conhecimento e incentivar a leitura crítica da mídia.
Sabe-se que com o advento da internet o receptor muda sua atuação para receptor-produtor e, neste contexto a leitura das mídias é de singular importância se pensarmos numa intervenção na atual didática escolar, principalmente para incluir possibilidade de conhecimento em rede, o que pressupõe crítica, recepção e produção.
Voltando às palavras de Sartre que abrem o DVD apesar do mundo hoje estar terrível, a esperança é o motor das grandes mudanças. E, é assim que devemos pensar a Educação à Distância, uma porta que se abre para um mundo, muitas vezes sem janelas.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Opinião pública, candidaturas e celebridades
A opinião pública foi considerada durante muito tempo como opinião da sociedade em geral. Com o desenvolvimento de diversos estudos, inclusive de recepção percebeu-se que existem públicos e, portanto, opinião dos públicos.
Diversas perguntas surgem quando o assunto é a opinião dos indivíduos; como se forma a opinião pública? quem é o maior responsável pela formação da opinião dos públicos? A opinião pública influencia no resultado das eleições? Respostas complexas que passam pela interface entre a realidade e a sociedade. O certo é que para se ter uma opinião a respeito de qualquer assunto é preciso que haja um mínimo de informações, algum conhecimento anterior.
O homem contemporaneo sem a possibilidade de comunicar-se face a face criou um instrumento de comunicação, ao qual denominamos mídia. Abriu-se uma janela entre o cotidiano de um determinado homem e a vida de todos os demais. Ou seja, é por meio de jornais, revistas, rádio, televisão e internet que a maior parte das pessoas apreende informações sobre quase tudo. Assim, muitos pesquisadores afirmam que a mídia pode ser considerada como um quarto lugar na vida em sociedade, tamanha a importância que os meios de comunicação atingiram.
Como é sabido, a comunicação midiática, como qualquer outro produto capitalista transformou as notícias em mercadorias. Processo acirrado com o advento da transnacionalização da economia e o atual estágio em que informações, mercadorias e serviços circulam mundialmente, no que se convencionou chamar globalização. Fenômeno que atingiu a mídia e consolidou a máxima de que informações são produtos que precisam ser vendidos. Desde então, para medir o sucesso de um veículo usa-se o critério da audiência. Para alcançar a tal audiência o recurso é atrair as pessoas, muitas vezes através da espetacularização do cotidiano de determinadas pessoas transformadas em celebridades. A dramatização dos fatos é um chamariz para prender a atenção dos públicos. Usa-se e abusa-se da linguagem subliminar que remete ao sexo e à violência para despertar no homem instintos e inibir a razão. Não é à toa que essa admiração por determinadas pessoas, que cria a denominação fã, tenha surgido do fanatismo, que é o abandono da crítica.
Na mídia o espaço para a formação da opinião dos públicos, muitas vezes limita-se às possibilidades de fala, dadas a algumas pessoas, por conta da especificidade do meio de comunicação e por conta da necessidade de audiência. Daí fica simples compreender que a mídia dá voz às celebridades midiáticas. Pessoas que são transformadas momentaneamente em ícones pela própria mídia. Pela admiração que as pessoas nutrem por certas personalidades a sua voz ganha muito na formação da opinião dos públicos.
Basta ser famoso para estar no Domingão do Faustão respondendo a perguntas sobre as mais variadas esferas da vida pós-moderna e influenciando na formação da opinião dos públicos. Formadores da opinião de diversos públicos, as ditas celebridade apropriam-se do espaço midiático destinado a elas para se candidatarem ou apoiarem determinados candidatos.
Exploradas pela mídia e cientes do seu momentaneo poder na formação da opinião dos públicos e da importância da visibilidade para a vitória nas urnas, celebridades tem ganhado cada vez mais cadeiras nas assembléias e câmaras. Elege-se excelentes cantores, péssimos deputados, ótimos atores, corruptos senadores.
Não quero dizer que todas as celebridades candidatas e/ou eleitas não teriam um projeto político, mas que isso é um fenômeno facilmente observado. Nem estamos discutindo contra a democracia. Robert Dahl, em seu livro Sobre a democracia frisa que um dos pressupostos da democracia seria que todos os adultos pudessem ser eleitos e eleger candidatos e concordamos com isso.
Portanto, não podemos exigir que especialistas tomem o poder porque sabe-se que o tempo da ciência é diferente do tempo da tomada das decisões políticas, e que a grande parte da sociedade não é especialista e estaríamos contrariando os pressupostos da democracia, quanto ao direito de eleger e ser eleito. O que se quer demonstrar aqui é o perigo de pessoas que se transformam momentaneamente em formadores da opinião de públicos e usam da visibilidade midiática para obter votos, tudo isso sem ao menos apresentar um projeto político.
Diferentemente da época das assembléias atenienses não se pode reunir todo o público para definir o destino político, econômico e social do país, conforme dissemos, vivemos em um mundo midiatizado e somos apenas representados nas mais importantes decisões que envolvem nossas vidas, pelo simples fato que não podemos nos reunir para decidir tudo pessoalmente. E, por isso, penso que deveríamos refletir um pouco mais sobre isso antes de votarmos em celebridades
Diversas perguntas surgem quando o assunto é a opinião dos indivíduos; como se forma a opinião pública? quem é o maior responsável pela formação da opinião dos públicos? A opinião pública influencia no resultado das eleições? Respostas complexas que passam pela interface entre a realidade e a sociedade. O certo é que para se ter uma opinião a respeito de qualquer assunto é preciso que haja um mínimo de informações, algum conhecimento anterior.
O homem contemporaneo sem a possibilidade de comunicar-se face a face criou um instrumento de comunicação, ao qual denominamos mídia. Abriu-se uma janela entre o cotidiano de um determinado homem e a vida de todos os demais. Ou seja, é por meio de jornais, revistas, rádio, televisão e internet que a maior parte das pessoas apreende informações sobre quase tudo. Assim, muitos pesquisadores afirmam que a mídia pode ser considerada como um quarto lugar na vida em sociedade, tamanha a importância que os meios de comunicação atingiram.
Como é sabido, a comunicação midiática, como qualquer outro produto capitalista transformou as notícias em mercadorias. Processo acirrado com o advento da transnacionalização da economia e o atual estágio em que informações, mercadorias e serviços circulam mundialmente, no que se convencionou chamar globalização. Fenômeno que atingiu a mídia e consolidou a máxima de que informações são produtos que precisam ser vendidos. Desde então, para medir o sucesso de um veículo usa-se o critério da audiência. Para alcançar a tal audiência o recurso é atrair as pessoas, muitas vezes através da espetacularização do cotidiano de determinadas pessoas transformadas em celebridades. A dramatização dos fatos é um chamariz para prender a atenção dos públicos. Usa-se e abusa-se da linguagem subliminar que remete ao sexo e à violência para despertar no homem instintos e inibir a razão. Não é à toa que essa admiração por determinadas pessoas, que cria a denominação fã, tenha surgido do fanatismo, que é o abandono da crítica.
Na mídia o espaço para a formação da opinião dos públicos, muitas vezes limita-se às possibilidades de fala, dadas a algumas pessoas, por conta da especificidade do meio de comunicação e por conta da necessidade de audiência. Daí fica simples compreender que a mídia dá voz às celebridades midiáticas. Pessoas que são transformadas momentaneamente em ícones pela própria mídia. Pela admiração que as pessoas nutrem por certas personalidades a sua voz ganha muito na formação da opinião dos públicos.
Basta ser famoso para estar no Domingão do Faustão respondendo a perguntas sobre as mais variadas esferas da vida pós-moderna e influenciando na formação da opinião dos públicos. Formadores da opinião de diversos públicos, as ditas celebridade apropriam-se do espaço midiático destinado a elas para se candidatarem ou apoiarem determinados candidatos.
Exploradas pela mídia e cientes do seu momentaneo poder na formação da opinião dos públicos e da importância da visibilidade para a vitória nas urnas, celebridades tem ganhado cada vez mais cadeiras nas assembléias e câmaras. Elege-se excelentes cantores, péssimos deputados, ótimos atores, corruptos senadores.
Não quero dizer que todas as celebridades candidatas e/ou eleitas não teriam um projeto político, mas que isso é um fenômeno facilmente observado. Nem estamos discutindo contra a democracia. Robert Dahl, em seu livro Sobre a democracia frisa que um dos pressupostos da democracia seria que todos os adultos pudessem ser eleitos e eleger candidatos e concordamos com isso.
Portanto, não podemos exigir que especialistas tomem o poder porque sabe-se que o tempo da ciência é diferente do tempo da tomada das decisões políticas, e que a grande parte da sociedade não é especialista e estaríamos contrariando os pressupostos da democracia, quanto ao direito de eleger e ser eleito. O que se quer demonstrar aqui é o perigo de pessoas que se transformam momentaneamente em formadores da opinião de públicos e usam da visibilidade midiática para obter votos, tudo isso sem ao menos apresentar um projeto político.
Diferentemente da época das assembléias atenienses não se pode reunir todo o público para definir o destino político, econômico e social do país, conforme dissemos, vivemos em um mundo midiatizado e somos apenas representados nas mais importantes decisões que envolvem nossas vidas, pelo simples fato que não podemos nos reunir para decidir tudo pessoalmente. E, por isso, penso que deveríamos refletir um pouco mais sobre isso antes de votarmos em celebridades
Capital, mídia e democracia
O ano eleitoral nos faz refletir sobre política. E nos modos de exercê-la. A possibilidade da escolha livre, direta e igualitária de representantes, entendida como democracia, volta à tona.
Para Robert Dahl em seu livro “Sobre a democracia” são critérios para se dizer que há democracia em determinado país funcionários eleitos (políticos), eleições livres, justas e freqüentes, liberdade de expressão, fontes de informação diversificadas, autonomia para as associações e cidadania inclusiva.
Daí depreende-se que a comunicação livre é pressuposto da democracia. Ou seja, ter acesso à diversidade de informações sobre política, economia, cultura e sociedade é pressuposto para a consolidação da democracia. E aqui fala-se em conteúdo, no aspecto qualitativo da profundidade no tratamento das notícias e não apenas quantitativo.
Como se sabe, a mídia nasceu com a efervescência da Revolução Industrial, nos idos do século XVIII, muito para propagar as ideias burguesas, leia-se liberais e facilitar a comunicação, uma vez que pouco a pouco as vilas iam tornando-se cidades e o trabalho especializado e concentrado nas fábricas dificultava as trocas de informações.
Como veículo capitalista, a mídia é essencialmente comercial. E aqui, não negamos as possibilidades de crítica ao capital de muitos veículos de comunicação. Porém, como em todas as atividades capitalistas busca-se o lucro e com a mídia, não é diferente.
Uma das formas de obtenção de recursos é o financiamento. Então, surge a dúvida. Quem é o maior financiador da mídia? Em Goiás, a resposta é o governo, assim como em boa parte do Brasil. Difícil pensar em liberdade de expressão quando se tem um financiador e esse tem o poder de determinar demissões, atrasar salários e por vezes fechar veículos de comunicação, ao retirar parte da verba destinada a publicidade, alocando em outros meios subservientes.
O problema da falta da liberdade de imprensa pode ser ainda mais complexo, se observarmos que, no Brasil não há financiamento público de campanhas eleitorais. Quem financia os políticos são empresas e empresários e quem financia a imprensa são políticos eleitos e empresas. Quais as reais possibilidades da mídia? Investigar apenas aqueles que momentaneamente não a financiam e fazer vistas grossas quando o assunto envolva seus mantenedores. Isso é liberdade de expressão?
Um caminho para o sonho da liberdade de imprensa é o autofinanciamento da mídia, ou seja, pelo crescimento do número de anúncios vide publicidade (que conforme exposto não é a melhor saída) e o aumento no número de assinantes, vendas de exemplares, audiência e acessos (nos casos da mídia eletrônica, TV e internet).
Natural para o capital é a acumulação, conforme afirmou Karl Marx. As empresas de comunicação buscam saídas, seja em prol de maior liberdade de comunicação, seja para otimizar seus ganhos. Quem são os jornais impressos que mais crescem em vendas no Brasil? Em formato Standard, com linguagem coloquial (ou quase), apelo erótico e com preços que variam entre cinquenta centavos e um real, vendas avulsas (não há possibilidade de assinaturas). Características que revelam a fórmula do sucesso dos jornais “Daqui” em Goiás, “Aqui” no Distrito Federal, em Belo Horizonte, no Maranhão, em Perambuco e “Extra” no Rio de Janeiro e em Alagoas, para citar apenas alguns exemplos. Tais jornais, quase sempre, negligenciando a editoria de política, dão espaço maior a esportes e política, ignorando notícias culturais, com exceção das notícias da TV.
O fenômeno de vendas desses jornais é a solução para o autofinanciamento da mídia como possibilidade para a liberdade de imprensa? Não se sabe. Tais jornais colaboram com a democracia? Pergunta que não cabe respostas apressadas, mas demanda observação do devir e reflexão.
Como escreve Dahl, não há sequer uma democracia consolidada em curso no mundo, nem mesmo os Estados Unidos. A democracia é um processo. E, no Brasil recordemos, o processo político democrático tem pouco mais de 20 anos e como em outros lugares, permanece em construção.
Para Robert Dahl em seu livro “Sobre a democracia” são critérios para se dizer que há democracia em determinado país funcionários eleitos (políticos), eleições livres, justas e freqüentes, liberdade de expressão, fontes de informação diversificadas, autonomia para as associações e cidadania inclusiva.
Daí depreende-se que a comunicação livre é pressuposto da democracia. Ou seja, ter acesso à diversidade de informações sobre política, economia, cultura e sociedade é pressuposto para a consolidação da democracia. E aqui fala-se em conteúdo, no aspecto qualitativo da profundidade no tratamento das notícias e não apenas quantitativo.
Como se sabe, a mídia nasceu com a efervescência da Revolução Industrial, nos idos do século XVIII, muito para propagar as ideias burguesas, leia-se liberais e facilitar a comunicação, uma vez que pouco a pouco as vilas iam tornando-se cidades e o trabalho especializado e concentrado nas fábricas dificultava as trocas de informações.
Como veículo capitalista, a mídia é essencialmente comercial. E aqui, não negamos as possibilidades de crítica ao capital de muitos veículos de comunicação. Porém, como em todas as atividades capitalistas busca-se o lucro e com a mídia, não é diferente.
Uma das formas de obtenção de recursos é o financiamento. Então, surge a dúvida. Quem é o maior financiador da mídia? Em Goiás, a resposta é o governo, assim como em boa parte do Brasil. Difícil pensar em liberdade de expressão quando se tem um financiador e esse tem o poder de determinar demissões, atrasar salários e por vezes fechar veículos de comunicação, ao retirar parte da verba destinada a publicidade, alocando em outros meios subservientes.
O problema da falta da liberdade de imprensa pode ser ainda mais complexo, se observarmos que, no Brasil não há financiamento público de campanhas eleitorais. Quem financia os políticos são empresas e empresários e quem financia a imprensa são políticos eleitos e empresas. Quais as reais possibilidades da mídia? Investigar apenas aqueles que momentaneamente não a financiam e fazer vistas grossas quando o assunto envolva seus mantenedores. Isso é liberdade de expressão?
Um caminho para o sonho da liberdade de imprensa é o autofinanciamento da mídia, ou seja, pelo crescimento do número de anúncios vide publicidade (que conforme exposto não é a melhor saída) e o aumento no número de assinantes, vendas de exemplares, audiência e acessos (nos casos da mídia eletrônica, TV e internet).
Natural para o capital é a acumulação, conforme afirmou Karl Marx. As empresas de comunicação buscam saídas, seja em prol de maior liberdade de comunicação, seja para otimizar seus ganhos. Quem são os jornais impressos que mais crescem em vendas no Brasil? Em formato Standard, com linguagem coloquial (ou quase), apelo erótico e com preços que variam entre cinquenta centavos e um real, vendas avulsas (não há possibilidade de assinaturas). Características que revelam a fórmula do sucesso dos jornais “Daqui” em Goiás, “Aqui” no Distrito Federal, em Belo Horizonte, no Maranhão, em Perambuco e “Extra” no Rio de Janeiro e em Alagoas, para citar apenas alguns exemplos. Tais jornais, quase sempre, negligenciando a editoria de política, dão espaço maior a esportes e política, ignorando notícias culturais, com exceção das notícias da TV.
O fenômeno de vendas desses jornais é a solução para o autofinanciamento da mídia como possibilidade para a liberdade de imprensa? Não se sabe. Tais jornais colaboram com a democracia? Pergunta que não cabe respostas apressadas, mas demanda observação do devir e reflexão.
Como escreve Dahl, não há sequer uma democracia consolidada em curso no mundo, nem mesmo os Estados Unidos. A democracia é um processo. E, no Brasil recordemos, o processo político democrático tem pouco mais de 20 anos e como em outros lugares, permanece em construção.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
A violência como plataforma política na era da visibilidade midiática
No ano em que os brasileiros vão às urnas mais uma vez escolher o destino político e social do país, a importância da mídia como local de visibilidade torna-se novamente nos meios acadêmicos tema de debate. Com a globalização e transnacionalização das economias as trocas de informações e serviços se dão em nível mundial e a concorrência está ainda mais acirrada. O modelo de produção que privilegia o consumo também atingiu a mídia, que usa o artifício da espetacularização dos fatos e imagens para vender. O espaço de venda de informações (mídia) centra-se no escândalo, dando visibilidade exacerbada a certos acontecimentos, muitas vezes usando da repetição de alguns discursos para atrair o público.
Como parte desta realidade a política também passou a ser mediada como espetáculo e nesse contexto, como destaca Wilson Gomes em seu livro “Transformações da política na era das comunicações de massa”, a política passou a administrar a visibilidade, as aparências e também os escândalos. Isso pode ser explicado tendo em vista a teoria da Agenda ou Agenda Setting, segundo a qual, determinados elementos sociais visíveis por meio da mídia passam a fazer parte da agenda do público, como possibilidade de pautar o cotidiano comunicacional das pessoas. “Quem é visto, é lembrado” conforme o ditado popular. A mídia tornou-se assim, como argumenta Thompson, no livro “A mídia e a modernidade”, numa espécie de escrutíneo global, local de visibilidade e julgamento das ações e escândalos políticos.
Neste contexto de visibilidade midiática em que a política também usa da espetacularização para conseguir votos, um elemento tem chamado a atenção, em plena campanha eleitoral (pleito de 2010, senadores, deputado federal, estadual, presidente e governador) os candidatos têm tratado da violência e do uso de drogas (crack, principalmente) como algo a ser resolvido com o aumento do efetivo policial e de armamentos.
As sirenes marcam o cenário das propagandas dos políticos que abusam do discurso da insegurança para se elegerem. Criam uma situação de retroalimentação da insegurança, de um lado afirmam seu crescimento e de outro sinalizam a solução militar para o problema. A ideia de guerra está implícita nesse discurso. Como um “temos que nos livrar das pessoas que praticam a violência e dos usuários de drogas com um efetivo policial maior, mais treinado e mais armado”, ora raciocinando me lembra um pouco o que Hitler quis fazer ao prender e exterminar aqueles que não faziam parte da raça pura.
Quem os políticos pretendem prender e por vezes até exterminar, (pois infelizmente os noticiários mostram muitas mães das periferias que choram os filhos desaparecidos quase sempre ligados nas investigações ao tráfico), são pessoas iguais a eu e você, só que para o capital são tratadas como invisíveis, porque não podem consumir como determinadas classes sociais.
Esse discurso pode parecer medíocre e hipócrita, mas esses seres são humanos e não tem oportunidades de enxergar a vida além dos morros, barracos e favelas onde nasceram, foram subalimentados e mal criados.
Acredita-se que o crescimento da violência está associado aos problemas estruturais, tais como desemprego ou subemprego urbano resultado de uma política econômica centrada na financeirização da economia e não na falta de policiais e armas. Os juros básicos (taxa selic) giram em torno de 10,75% denotam o desprezo ao setor produtivo, regra simples da economia para se gerar empregos é necessário um aumento da produção. Porém, não conseguimos perceber nas plataformas dos políticos que usam da espetacularização da violência uma ação dialógica que perpasse suas causas, associados ao que a mídia expõe, os políticos preferem a visibilidade que garanta os votos.
Como parte desta realidade a política também passou a ser mediada como espetáculo e nesse contexto, como destaca Wilson Gomes em seu livro “Transformações da política na era das comunicações de massa”, a política passou a administrar a visibilidade, as aparências e também os escândalos. Isso pode ser explicado tendo em vista a teoria da Agenda ou Agenda Setting, segundo a qual, determinados elementos sociais visíveis por meio da mídia passam a fazer parte da agenda do público, como possibilidade de pautar o cotidiano comunicacional das pessoas. “Quem é visto, é lembrado” conforme o ditado popular. A mídia tornou-se assim, como argumenta Thompson, no livro “A mídia e a modernidade”, numa espécie de escrutíneo global, local de visibilidade e julgamento das ações e escândalos políticos.
Neste contexto de visibilidade midiática em que a política também usa da espetacularização para conseguir votos, um elemento tem chamado a atenção, em plena campanha eleitoral (pleito de 2010, senadores, deputado federal, estadual, presidente e governador) os candidatos têm tratado da violência e do uso de drogas (crack, principalmente) como algo a ser resolvido com o aumento do efetivo policial e de armamentos.
As sirenes marcam o cenário das propagandas dos políticos que abusam do discurso da insegurança para se elegerem. Criam uma situação de retroalimentação da insegurança, de um lado afirmam seu crescimento e de outro sinalizam a solução militar para o problema. A ideia de guerra está implícita nesse discurso. Como um “temos que nos livrar das pessoas que praticam a violência e dos usuários de drogas com um efetivo policial maior, mais treinado e mais armado”, ora raciocinando me lembra um pouco o que Hitler quis fazer ao prender e exterminar aqueles que não faziam parte da raça pura.
Quem os políticos pretendem prender e por vezes até exterminar, (pois infelizmente os noticiários mostram muitas mães das periferias que choram os filhos desaparecidos quase sempre ligados nas investigações ao tráfico), são pessoas iguais a eu e você, só que para o capital são tratadas como invisíveis, porque não podem consumir como determinadas classes sociais.
Esse discurso pode parecer medíocre e hipócrita, mas esses seres são humanos e não tem oportunidades de enxergar a vida além dos morros, barracos e favelas onde nasceram, foram subalimentados e mal criados.
Acredita-se que o crescimento da violência está associado aos problemas estruturais, tais como desemprego ou subemprego urbano resultado de uma política econômica centrada na financeirização da economia e não na falta de policiais e armas. Os juros básicos (taxa selic) giram em torno de 10,75% denotam o desprezo ao setor produtivo, regra simples da economia para se gerar empregos é necessário um aumento da produção. Porém, não conseguimos perceber nas plataformas dos políticos que usam da espetacularização da violência uma ação dialógica que perpasse suas causas, associados ao que a mídia expõe, os políticos preferem a visibilidade que garanta os votos.
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